Mid-Book Review + Ritual com Perséfone para Reclamar Partes Perdidas de Si

 Desde Dezembro, eu tenho lido um livro que, embora não seja grande, devido ao fato de ter tanta informação, você precisa digerir um pouco cada coisa que lê. Este é o Modern Witchcraft with the Greek Gods, do gardneriano Jason Mankey e da bruxa eclética Astrea Taylor. Até o momento, o livro tem sido bem interessante e amplo, no sentido de não somente prometer uma suposta "bruxaria helenística" em que os elementos são as coisas de sempre, mas de fato imergindo, até onde se pode, na história, mitologia e oferecendo insights e perspectivas que inspiram práticas, ainda enraizadas no nosso mundo atual.

Diferente de A Panela de Afrodite, da Marcia Frazão, ou Hécate - A Deusa das Bruxas, da Courtney Weber, que, claro, refletem a popularidade dessas deusas na cena neopagã atual, o livro da inesperada dupla, por outro lado, dedica a primeira seção inteira, por exemplo, a todo Olimpo. Então, há a exploração de figuras cujas práticas relacionadas, acredito, nunca tenham estado em destaque num livro de bruxaria contemporânea, embora tenham já, claro, havido praticantes que tenham se debruçado sobre o contato para com estes. O livro, no entanto, organiza tudo isso criando uma sensação de consistência, de compartilhamento.

Vale destacar Héstia e Ares como exemplos. Enquanto, de fato, eu nunca tenha visto outros praticantes comungando com a deusa do lar, o deus da guerra já recebeu algumas oferendas minhas próprias bem como de outros praticantes que eu conheço. Assim, embora cada capítulo conte com um texto cujo título seja "Personal Insights With (insira aqui o nome da divindade)", o de Ares é vazio. Eles não conseguiram encontrar ninguém, das pessoas que contribuíram, que tivessem tido contato com Ele.

Acerca da estrutura dos capítulos, estes insights pessoais se encontram no meio de cada um, sendo antecedidos por informações históricas e mitológicas, e seguidos por feitiços, ritos e meditações ligados aquela divindade. Enquanto a primeira seção é devotada aos Olimpianos, a seguinte explora figuras também importantes, mas que não pertencem a área V.I.P. do panteão, incluindo até mesmo o semideus deificado Hércules (ou Héracles). Um destes capítulos, por exemplo, se dedica a Perséfone, cujo rito com a intenção de reclamar partes perdidas de si me inspirou uma versão própria, que é o que eu gostaria de compartilhar aqui hoje.




Para o rito, você vai precisar de:

- Uma vela preta;
- 10 ou 13 rosas vermelhas (com ou sem cabo, ou somente as pétalas, uma decisão que você vai fazer e entender adiante);
- Um cálice de vinho;
- Hibisco em pó.

Comece preparando o seu espaço com uma limpeza. Guarde o que for necessário, abra espaço (você vai precisar) e garanta que sua área está limpa. Se fizer sentido dentro da sua prática, o purifique energeticamente com água e sal, por exemplo, e/ou uma defumação. Você próprio, também, estando limpo, fisicamente e energeticamente, comece preparando sua vela, que vai servir tanto como uma oferenda quanto uma fonte de energia para o rito que vai se dar.

Inscreva, nela, o nome da deusa com o alfabeto grego: ΠερσεφονηSe desejar, pode, também, untá-la com óleo mineral, devido a sua origem subterrânea. Ofereça esta vela a Perséfone e convide-a para se fazer presente neste momento, lhe auxiliando a reclamar sua integridade, unidade e poder pessoal.

Quando se sentir confortável, reúna as rosas e passe-as pela chama desta vela. A intenção é desperta-las seu poder de cura, harmoniabem-estar e nutrição. Ao fazer isto, disponha-as em um círculo ao seu redor, englobando também a própria vela. Você tem diferentes formas de, assim, o fazer. Você pode unir os cabos às pétalas e formar um grande bambolê, por exemplo; ou, usar somente a parte superior, como se formasse um círculo de pedras; também, usar somente as pétalas é uma opção válida.

De toda forma, com o círculo estabelecido, entre nele, levando, agora, consigo a taça de vinho e o hibisco. Adicione a erva à bebida e use uma colher para mistura-las. Passe, também, o próprio cálice acima da chama, imbuindo sua mistura com esta intenção: reclamar, reunir, se reintegrar. Beba parte deste vinho, deixando 1/3 ainda na taça. Sinta essa energia percorrer pelo seu corpo, criando uma alquimia com todos estes elementos, dentro e fora de si. Feche seus olhos e permita-se ser levado para dentro de si.

Pessoas diferentes podem ter visões diferentes sobre isto. Alguns, podem ver uma floresta; outros, uma casa, por exemplo. No primeiro caso, deve-se avaliar o quão rígido o solo está, procurar por partes fofas e encontrar, nele, o que está enterrado. No segundo, uma porta, em alguma parte, te leva ao porão do local, onde também algo há de ser encontrado. Embora você possa ter, ainda, uma visão completamente diferente de qualquer um desses dois cenários, este é o momento em que você deve buscar aquilo que é necessário que você reclame neste momento. Isto pode, por exemplo, se manifestar, como um objeto em sua meditação, ou um pedaço de papel em que algo esteja escrito, uma foto que represente esta coisa. Deixe que a magia da deusa te mostre o que quer que seja necessário.

No momento em que seu token for encontrado, de qualquer forma, perceba que Perséfone se encontra, agora antropomorfizada, próxima a si. A deusa caminha em sua direção, te atravessa, e suas energias se fundem, você tornando-se ela própria, seja você homem ou mulher. Aquilo que você encontrou torna-se, também, parte de sua mistura, dissolvendo em suas mãos e tornando-se parte de si. Diga, em voz alta, aquilo que fizer sentido para você nas linhas do ritual. Se preferir algo mais curto e direto, simplesmente diga: "Eu fui, eu sou, eu serei: íntegr@" (x3). Uma outra ideia é usar algo mais complexo e poético, como o poema Notas Frias, da Clarice Freire:




Sinta essas mudanças sendo processadas dentro de si. Inspire e expire profundamente durante estes momentos. Quando sentir o processo assentado, lentamente volte sua consciência ao seu espaço e corpo físico. Agradeça, com suas próprias palavras, a deusa por seu auxílio. Deixe que a vela queime até o final. Quaisquer restos dela, enterre, junto as rosas e o restante da porção de vinho. Dedique algumas palavras, novamente, a Rainha do Submundo por sua ajuda.

Ao encerrar o rito, tome nota daquilo que você encontrou, das sensações obtidas e mantenha-se atento ao longo dos próximos dias, interna e externamente. É interessante o realizar com alguma frequência espaçada, como uma ou duas vezes ao ano, de forma a verificar quais novas questões podem surgir a partir daí. Preferencialmente, alie-o a um processo terapêutico.

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