Prólogo.

Eu acho que essa ideia me ocorreu, em primeira instância, em 2022. Eu tenho certeza que foi derivada de uma das disciplinas de Literatura que eu estava cursando na época. Hoje, eu fui invadido novamente por essa mesma sensação que eu lembro de ter me possuído no momento: essa incontrolável necessidade de criar.

Ocasionalmente (porque ela sempre vem), ela se manifesta de outras formas que não pelas palavras. Meus ritos, a Ordem que eu vou estruturando, em mim, ao meu redor. Uma influência de Peorth, claro. A Runa que tece. E, dentre todas, tão... minha. Hoje, eu entendo que ou ela me deu esse desejo, ou ele sempre esteve aqui, e ela só o tornou visível. Fez muito mais sentido ao perceber que "texto" e "tecer" têm a mesma origem latina, texere. É esse o ponto: dar forma, de um jeito esteticamente harmonioso.

As palavras, com toda certeza, sempre foram, parafraseando um dos meus últimos escritos acadêmicos, "minha bússola e minhas armas". E pode ser que o que eu diga aqui soe poético, embora eu possa garantir que nada seja mais distante disso. É uma das coisas que eu nunca me conformei comigo mesmo: encontrar tamanha habilidade para escrever, embora nunca para subjetivamente versificar. Se esse é meu arsenal, ele nunca seria composto de venenos, mas somente lanças, afiadas, de pontas brilhantes, que deixam as marcas claras de seus trabalhos.

Conceição Evaristo diz isso sobre a poesia, que é a senha pela qual ela acessa o mundo. Essa senha, eu não tenho, mas deste site, sim. E é isso que eu pretendo fazer, Escrever. Quando der vontade, sobre algo que me toque, o que quer que seja... E eu adoro, honestamente, o quão antiquado isso é. Num mundo de Reels, TikToks, quem para para ler um blog? Ou fazer um, em primeiro lugar? Mas meu acesso mundístico, interno e externo, sempre foi esse.

P.

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