A Magia de "Agatha All Along".

 

                             Arte realizada por @kidovna, no Instragram.
Apesar dos repetitivos, e cansativos, comentários, feitos por pessoas extremamente infelizes, questionando quem havia pedido uma série da Agatha, ao menos uma parte delas teve a capacidade de, de fato, dar o braço a torcer e admitir: É, essa é uma das melhores coisas já produzidas pela Marvel. Parte dessa qualidade vem de uma história que tem alma, personalidade e personagens cativantes, como a Lilia Calderu, que ilustra o início desse post. Praticantes de bruxaria, no entanto, puderam, claro, encontrar muito mais camadas de tesouros ao longo do caminho percorrido (a little pun intended, yes) do que aqueles que veem bruxas mais nas telas, ao invés de quando se olham no espelho.

O célebre autor de livros sobre o assunto, Christopher Penczak, por quem eu tenho uma admiração tremenda, fez uma série de 7 posts em sua página do Instagram levantando alguns pontos de como a série reflete certas nuances basilares da prática bruxa, em suas mais diversas formas. Esta coletânea trata-se de um ótimo exemplo de food for thought, sobre os quais, partes de alguns, eu gostaria de me debruçar aqui.

O primeiro texto, por exemplo, traz algumas palavras tratando sobre a questão da bruxa para com seu grupo. Brilhantemente, ela é adjetivada com a única palavra possível: paradoxal. Uma bruxa sempre está sozinha, ao mesmo tempo que nunca está. Num outro post mais adiante, o autor, por outro lado, oferece um enfoque acerca de como a bruxaria trata-se, na realidade, de um atavismo do qual somos todos apenas "canais", para que ela, assim, se manifeste nos mundos. Essas duas ideias são intrinsicamente ligadas, é claro. Como uma floresta, compartilhamos aquilo que nos nutre e enraíza, ao mesmo tempo que somos tão plurais. Formamos arvoredos, e ainda assim é possível facilmente distinguir um componente de outro. Quando não há espaço para que nossas individualidades se manifestem, perecemos. Assim como o crescimento se retarda quando não há encontro para com nossos pares.

Um outro importante aspecto dos escritos analisa como as diferentes versões de The Ballad of the Witch's Road oferece alguns insights e ensinamentos explícitos sobre a "Arte das Bruxas". Felizmente, a que eu mais gostei, lançada no episódio 4, numa apresentação que deixaria a Stevie Nicks com um grande sorriso saudosista, é também aquela em que Penczak discorre os pensamentos mais interessantes.

"I have learned the lesson
Of all that’s foul and fair
Our love was forged in fire
Water, Earth and Air
The spell is cast, how long it lasts
I cannot divine
The road is there
And so I dare
To risk this heart of mine"


Pessoas com o mínimo de instrução teórica e prática conseguem, sem esforços, reconhecer diversas das referências, como a presença dos quatro elementos; a referência aos Mistérios da Forja; parte da Pirâmide das Bruxas; e até a experiência prática de ter sua leitura oracular frustrada porque, para referenciar Salem, uma outra série bruxa, no fim estamos todos "lendo sombras", algo extremamente complexo e que pode oferecer a ilusória percepção de controle.

A preciosidade, aqui, está, especificamente, em reconhecermos o quanto, para o povo mágico, a criação é algo valioso e importante. Isso, claro, tem a ver com o próprio processo inconsciente de geração do Caminho das Bruxas pelo Billy. De acordo com, o também autor de bruxaria, Raven Grimassi (we miss you <3), existem coisas que podem ser aplicadas a qualquer sistema de Magia, denominadas por ele como o Caminho Explorado e o Caminho Oculto. O primeiro trata-se daquilo que é visível, consciente. É o que se aprende, por exemplo, lendo livros e/ou sendo treinado por outros. O segundo, no entanto, são as inovações concebidas pelas gerações futuras. É, afinal, como se houvessem camadas em qualquer caminho mágico que vão se abrindo, se revelando, conforme os anos avançam. Isso se dá, em parte, também pela "invenção", o que acaba sendo um grande tópico de discussão, em especial para com aqueles que são mais tradicionalistas. Vale lembrar, no entanto:

O sucesso será sua prova.
-
Aleister Crowley

Menos filosoficamente, numa abordagem mais prática, o Método da Passagem Segura merece, também, o seu devido reconhecimento. Tendo a realizado de fato, ela atua mostrando algum assunto muito central na sua vida que precisa de alguma atenção e/ou resolução. Similar mesmo ao processo das bruxas enfrentando cada desafio. Para quem quiser, também, a experimentar, segue como:

Design feito por @tarotbyonyxbear, no Threads.

1) O Querente/O Viajante - Te representa na leitura;
2) O que falta - O propósito da sua jornada;
3) O caminho passado - Feridas sofridas e lições aprendidas;
4) O caminho a frente - Espaço para crescimento e descoberta;
5) Obstáculos - O que há de ser enfrentado;
6) Um ganho inesperado - Uma mudança de sorte benéfica;
7) O destino - O que há de ser alcançado ao final do caminho.

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