Feitiço para Abençoar Projetos + Spirit Work.
Esse simpático pote de cristais foi o feitiço que eu usei para me ajudar a desenvolver meu projeto de monografia, no qual eu alcancei a nota máxima em todos as etapas do processo. Apesar desse contexto, ele pode ser facilmente adaptado considerando o tipo de projeto que você gostaria de desenvolver, como algo profissional e/ou criativo. Lançamento de produtos, serviços; criação da sua marca pessoal; planejamentos de cursos, eventos; desenvolvimento de um site, blog, livro, aplicativo... Enfim, acho que vocês entenderam a ideia.
Para o compor, eu decidi o montar com cascalhos em camadas. Se você preferir, pode optar por um pote mais estreito, longo, e usar pedras roladas maiores que fiquem empilhadas uma sobre a outra também. Parte desse feitiço é, também, afinal, a expressão da sua criatividade. Então, decida qual escolha estética faz mais sentido para você.
Cada cristal escolhido se ligou a uma Runa que, também, correspondia a uma parte do feitiço.
Cristal de quartzo - ᛃ (Jera) - harmonia entre todas as partes, consistência, prazos, algo que se desenvolve ao longo de meses até anos, amplificador de intenção;
Citrino - ᛋ (Sowelo) - brilho pessoal, sucesso, carisma, autoconfiança;
Hermatita - ᛏ (Tyr) - foco, disciplina, capacidade de clareza mental, desapego de distrações;
Amazonita - ᚨ (Ansuz) - conhecimento, línguas, estudos, clareza, comunicação, criatividade;
Ônix - ᚢ (Uruz) - resistência, durabilidade, força pessoal, proteção, disciplina, formatação bem estruturada, elevação pessoal, iniciação.
Essas escolhas podem variar de acordo com a sua necessidade, aumentando ou diminuindo a quantidade de cristais/Runas. Se você, por exemplo, está desenvolvendo um livro ou um curso, essas mesmas escolhas te servem bem, podendo, inclusive, a pirita ser adicionada, sendo associada a ᚠ (Fehu), por exemplo, para que isso te traga um bom retorno financeiro. Por outro lado, se seu objetivo é apresentar um projeto que impulsione a sua carreira, quartzos rosa associados a ᚷ (Gebo) podem te ajudar a tornar as pessoas mais dispostas e inclinadas a apreciarem os seus esforços.
Qualquer que seja o caso, baseado na sua escolha de Runas, combine todas elas em uma bindrunen.
Para montar o feitiço, purifique tudo: pote e cristais. Coloque a bindrunen no fundo do pote e, em seguida, seus cristais. Dependendo do pote que você tiver utilizado, se fizer sentido, sele-o com cera de uma vela. Segure-o entre suas mãos e, com sua visualização, transmita ao feitiço sua função. Visualize as pedras individualmente trazendo as energias que você deseja, atuando em prol do seu objetivo, e, ao mesmo tempo, tendo suas energias ali combinadas para o resultado final. Se você, assim como eu, gosta de encantamentos rimados, sinta-se livre para adaptar, também, o que eu havia escrito para o meu caso:
"Como um, estas energia reúnem-se aqui, então
Para que assim cumpram com seus propósitos: meu desejo e intenção.
Bem-sucedido há de ser meu trabalho de conclusão,
Nota máxima obtendo em cada e toda avaliação. (x3)
Que assim seja!"
Pote pronto, deixe-o no lugar onde você trabalhará em seu projeto. A cada mês, segure-o novamente em suas mãos, visualizando novamente seu desejo final e repetindo o encantamento que lhe convier, de forma a reforçar seu intento. Quando o projeto tiver terminado, você pode dá-lo de presente para uma outra pessoa que tenha o mesmo objetivo que você, ou até entregar os cristais para a Terra, num lugar onde a energia será dissolvida e espalhada para um grupo. No caso do projeto profissional, por exemplo, os terrenos da empresa é uma boa escolha.
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Uma das questões que mais mudou ao longo dos meus anos de prática da Arte, definitivamente, foi minha relação com os espíritos. Quando eu comecei, afinal, a neo-Wicca politeísta que se pratica aqui no Brasil me servia de base. Todo mês um Esbat com uma deusa diferente, uma "vivência", sinais, meditações... Às vezes, a forma que isso tomava era de "Rodar uma Roda com a divindade", como chamavam. De toda forma, podia se dizer que havia, implicitamente, um forte teor laboral, como um serviço, em que havia o encorajamento de se explorar o máximo de contatos divinos possíveis. Outras implicações derivavam a partir disso, como a "superiorização" de divindades em comparação com outros espíritos. Por exemplo, os Ancestrais; ou até o não reconhecimento da vida existente nos vegetais e minerais. Eu não sei exatamente o momento em que eu fui apresentado a perspectiva que eu levo hoje, de que espíritos são espíritos no fim das contas, mas, definitivamente, com o tempo, essa ideia inicial se parecia, cada vez mais, com a prática cristã de encarar esse divino externo como possuidor de um saber superior sobre mim, minha vida, meus desejos; de que eu deveria confiar nesses poderes, acima de tudo, de forma a inferiorizar tanto a mim mesmo quanto minhas próprias capacidades, de decisão e de atuação nos mundos.
Eu acho que é, também, importante pontuar que não é como se eu tivesse deixado de trabalhar com os deuses, que eu considere isso algo inferior ou ultrapassado... De forma alguma. Estes, afinal, são fontes infinitas de sabedoria, poder e auxílio. Eu considero que seja importante, no entanto, na concepção atual que eu tenho de bruxaria que o poder pessoal seja valorizado, reconhecido e nutrido, antes de tudo. A partir do momento em que, por exemplo, todas as Luas Cheias se reservam para o contato com esse divino externo, em rituais complexos envolvendo o traçado de círculos mágicos e invocações, cabe uma reflexão de se isso, a longo prazo, é de fato algo sustentável, possível de se fazer, considerando as, já exaustivas, vidas que levamos. Por vezes, esse reencontro para com o divino pode ser, na realidade, um reencontro para consigo mesmo, o que pode assumir diferentes formas que são, ainda assim, válidas.
Durante esses processos de retomada, reestruturação, redescoberta e, enfim, todos os "(res)tantes", com o perdão do trocadilho, uma das minhas primeiras Luas Cheias se reservou a construir um feitiço que eu dei de presente para uma amiga minha. Algo que abençoava sua vida em diferentes aspectos. Isso se liga ao encanto que eu compartilho no início do post porque, quando ele estava em construção, conversando com essa mesma amiga, sua imediata sugestão, nascida de anos de amizade me ouvindo falar sobre magia e vários vídeos assistidos no TikTok, foi essa: "Chama uma divindade para te ajudar.". E eu considero que seja importante destacar isto porque, como se lê em Circe:
Para compreender inteiramente o que este trecho representa neste contexto é preciso, também, considerar que, nesse cenário em que se deu minha formação mágica inicial, com esse extremo direcionamento para o divino, uma das afirmativas que eu sempre escutei foi: "Se você está usando o nome de uma divindade, contate-a.". Ou seja, se meu trabalho era sobre Circe, eu necessariamente deveria ou meditar com ela, ter um altar em sua honra ao longo desse processo de escrita, lhe dedicar um ritual... Enfim, de alguma forma, ir em busca deste aval, da sua bênção. Embora eu já tenha a contatado e trabalhado com sua força em outros momentos, em nenhuma etapa desta jornada, eu senti esse impulso. E eu sinto que seja importante de se reconhecer e compartilhar isto porque, afinal, neste trecho podemos, também, observar como, no romance, Circe se reconhece como detentora de um divino inerente. E, a partir desta perspectiva, podemos alcançar novas formas de se enxergar e lidar que quebram com estes (supostos) limites. Eu destaco que, de forma alguma, eu digo que devamos ser levianos ao trabalharmos com divindades, mas que, na verdade, devamos valorizar nossa voz interior e o julgamento que temos acerca das coisas. Se não faz sentido para você, afinal, uma determinada prática, questione, repense. Passamos a praticar a Arte, verdadeiramente, quando, como artistas, nosso trabalho reflete aquilo que há de verdadeiro em nós.


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